Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Eu caminhava rapido, perdida nos meus pensamentos, tao distraida que nao reparei em nada. Nao reparei nela, que caminhava lentamente, que seguia perdida entre o passado e o presente. Nao reparei na personagem que devagarinho seguia o seu rumo.

Chocamos. Ela caiu desamparada no chao e eu afligi-me. Quando se tem cerca de 85 anos e se cai desamparada no chao é simplesmente um perigo enorme... Baixei-me para ajuda-la a levantar e foi quando lhe toquei no braço, que me olhou com aqueles dois olhos profundos.

Foi ai que a senti. Os cabelos brancos que deveriam impor respeito eram por si desprezados. Presos por uma longa trança, nao estavam propriamente domesticados. Continuei a senti-la. As rugas, vincadas, portadoras de uma sabedoria, de uma experiencia de vida, mostravam que por aquela vida muito passou, que naquela vida muito se viveu.

O olhar... mais terno que o de um cachorrinho, meigo a procura de um carinho. Olhar aguado que me fez sentir a dor de uma filha, a tristeza de um corpo estéril, a alegria do que restava de uma jovem sonhadora.

Senti...

Alcançara muito na vida. Chegara longe. Os olhos sabios diziam que havia sido alquém forte na vida. Sofrera certamente. Alguma vez passou fome? Nao sei, nao consegui ver. As maos... so olhando se podia ver que nunca estivera parada.  Sorriu-me. Aquele sorriso... portador de toda a luz do mundo. E eu ali parada a olhar aquele rosto, tao pequenino e enrugado que me dizia tanto... Sorri-lhe de volta e os olhos marejados, como que constantemente, trouxeram-me todo brilho e amor deste mundo. Um momento magico. Inexplicavel. Tolo talvez. Mas intenso.

Largou umas doces palavras:

- Obrigada minha filha...

Dizendo isto, com toda a doçura que se possa alguma vez saborear em tres palavras, seguiu o seu caminho, por momentos interrompido por mim...

Vi-a, caminhar lentamente, ja de costas viradas para mim e eu, parada, a olhar... Os carros continuavam a passar certamente, e outras personagens também, mas eu nao dava conta de nada, perdida em sensaçoes estranhas...

Um dia foi criança, cresceu e foi adolescente. Também errou, também pecou. Foi amada, mas nao amou... Viveu como soube, mas nunca como um dia desejou. Procurou e nao encontrou. Sorriu, mas nunca feliz na totalidade. Chorou, muitas vezes sem saber porque. Perguntou, mas nunca ninguém respondeu... Quis, mas nunca aconteceu...

 

Enquanto ela, muito lentamente, seguia o seu caminho, insisti a olha-la... e vi-me... ali vou eu, se algum dia chegar aos 85 anos...

 

(texto ficticio para a fabrica de historias)

 

 



publicado por Jo às 22:10 | link do post | comentar | favorito

12 comentários:
De Mário a 26 de Janeiro de 2009 às 22:37
Lindo lindo lindo baby. A sério, sem influências de qualquer género. Gostei muito.


De Jo a 26 de Janeiro de 2009 às 22:40
:) dank u schatje :)


De Anónimo a 27 de Janeiro de 2009 às 01:08
está lindo!!!...
tou lixada, vou-m fartar d chorar sempre k publicares um livro (sim, pk vou comprar um exemplar d cada lol)
doro tu mana pekenina.


De Jo a 27 de Janeiro de 2009 às 06:09
:) :) Soninha :)
chorar? cal que??? :p se algum dia publicar, tu tens um exemplar oferecido né?? :)

beijo mana. tenho saudades...


De Eu mesmo a 27 de Janeiro de 2009 às 09:51
Bom diaaaaaaaaaaaaaa :))
Ah tu tb te perdeste com moscatel lolol
Mais uma história que gostei, aliás começa a ser algo que já deu para perceber: não há quem não goste das tuas "letras"... Escreves lindamente, amiga :)

Tem um dia cheio de brilho! :)
Beijoca assim... deixa ver... como dizer?... GRANDEEEEEE ;)


De Jo a 27 de Janeiro de 2009 às 09:58
Obrigado :) ainda bem que gostaste :)

sim, perdi-me com o moscatel...e olha que foi mm do piorio!!!! :p :p enfim, isso as xs tb vale ;)

bom trabalho!!!! beijaoo!


De A.Bruto a 27 de Janeiro de 2009 às 16:48
Eu soh acho feio andares a apalpar velhas no meio da rua, mesmo que sejam ficcionadas e tenham caido no chao...


De Jo a 28 de Janeiro de 2009 às 07:36
LOOOOOL querias era ser tu o velho humpf!


De carla espada a 27 de Janeiro de 2009 às 21:45
Lindíssimo ! Olhar de alegrias, de desilusões, de quem já viveu muito e nos pode ensinar muito na vida, para que no final possamos olhar do mesmo modo.


De Jo a 28 de Janeiro de 2009 às 07:37
:) nem mais Carla... um dia, um pouco mais, um pouco menos tb seremos assim... Obgdo pela visita. *


De Cloudy a 29 de Janeiro de 2009 às 16:57
Adorei a história amiga! Como todas as que escreves aliás! Beijocas


De Jo a 30 de Janeiro de 2009 às 07:51
:) obrigado amiga ! miminho logo pela manha :D
beijooo e bom trabalho


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